Receba meu abraço, cheio de energia bacana!

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14 de agosto de 2011

Gratidão

Muitas vezes, enquanto estive internada no hospital, me senti triste. Sentia solidão, medo, saudade, ansiedade, apreensão, insegurança. O tempo lá, passava de outra forma, era tudo diferente, a minha vida, durante aqueles 18 dias, era muito diferente e estranha.
É certo q o ser humano tem uma capacidade incrível de se adaptar a praticamente tudo. Eu é q digo isso! Eu própria me adaptei com aquele corpo estranho em mim, crescendo, crescendo e crescendo. A adaptação é fenomenal. Num dia, vc acha q o mundo se abriu a seus pés, no outro, vc consegue colocar um apoio capenga e aprimora esse apoio q de capenga se torna ‘vivível’. E assim os dias passam e vc nem se lembra do dia q o mundo se abriu aos seus pés.
Diversas vezes, durante o imenso período em q eu tinha aquilo q não era meu, eu passei por momentos dantescos, dramáticos e apavorantes. Nem tudo vou detalhar, me preservo o direito de não contar algumas coisas, q vou deixar q o Universo pulverize isso pra mim. Mas asseguro q passei por momentos dramáticos e só meus. Só meus. Eu só repartia essas coisas com o espelho refletindo a minha imagem e a imagem do q eu era, naquele momento. Nem sempre as imagens não eram assustadoras. Eu vivia um filme de terror sem fim, com momentos amenizados pela acomodação e adaptação.
Sim, é terrível, mas são imagens q, aos poucos, estão sendo diluídas, jogadas pro mundo em forma do q for, para serem transformadas, para serem esquecidas.
Sim, eu aprendi c tudo isso, claro. Essa lição eu não posso esquecer, eu não seria justa com o mundo se eu não aprendesse com tudo isso.
Lá no hospital, eu não pensava nos meus erros, eu vivia de uma forma ‘recomeçante’, cheia de planos para qdo eu saísse de lá. Eu não tinha concentração. Por exemplo, um livro, dos vários q me emprestaram, eu não os lia nenhum. Minha cabeça estava sempre cheia de pensamentos e eu passava muito tempo no facebook, na internet. Eu relatava meus dias, eu conversava c meus amigos e familia, eu recebia suas vibrações e isso me fazia muito bem.
Já contei o tanto q foi importante pra mim as vibrações das pessoas q me queriam bem, foi providencial para minha sustenção e recuperação. Eu sentia nitidamente o carinho e a força q me emanavam.
Mas, ainda assim, havia momentos em q eu não era toda força, eu não era toda coragem. Foram poucas as vezes, isso é muito bom, mas existiram essas vezes. Não dava pra segurar a peteca sempre no ar, não dava... e então eu me recolhia dentro de mim mesma, dos meus pensamentos, das minhas culpas e medos.
Certo dia, sem internet, comecei a mexer nos arquivos de fotos do notebook da Paty, a minha sobrinha linda, q me emprestou seu ‘brinquedinho’. Eu estava num desses dias, c a energia baixa, tristinha, e só via fotos de peixe, fotos tiradas do seu celular num aquário de alguma cidade. De repente, como uma palma de mão a me tocar, eu vejo a foto do meu pai sorrindo de um jeito q eu não lembrava mais. Aquilo foi como um turbo num coração quietinho, cheio de dor. As minhas lágrimas eram de tanta emoção e saudade q eu agradeci muito a ele. Muito. Ele transformou aquele dia sem cor, dentro daquele quarto frio de hospital em um lar, uma brisa aconchegante, de afeto e renovação.
Pai, como vc me fez sentir melhor. Como vc me ensinou, naquele dia...
Aonde quer q vc esteja, vc sempre será o meu pai, aquele q me ama, q me ajuda, q me perdoa.
Hoje, nesse Dia dos Pais, eu te desejo tudo o q for bom, as mais belas energias  e vibrações. 
Q vc esteja bem.
Sinta o meu abraço, o meu amor de filha, a minha gratidão.
Essa é a foto q mudou o meu momento:

12 de junho de 2007

Hoje, dia 12 de Junho

Hoje, dia 12... popularmente dia dos namorados... mas, pra mim, desde q eu nasci, é o dia no aniversário do meu pai.
Qdo eu era mocinha, qdo namorava, era na festa do meu pai q eu ficava.Se desse... depois eu sairia c o namorado, caso contrário não, era o dia do meu pai. Mesmo q não tivesse festa, tinha um bolo, ou apenas um jantar mais caprichado e sentávamos na sala de jantar (sala apenas para os almoços de domingo, família reunida, italiana).
Hoje dia 12... aniversário do meu pai...
Não, hoje não há festa, nem bolinho, nem jantar especial, nem sentaremos reunidos na sala de jantar...
Mesmo q ele estive calado, c a cara fechada, de mau humor ou o contrario de tudo isso, ou qqer outra coisa, não haverá nada...
Os almoços de domingo não são mais na sala de jantar, e qdo são, existe uma cadeira q está vazia...
Hoje, dia 12, não haverá nada, além da lembrança do meu pai.
Eu não disse pro meu pai q o amava, eu não disse. Pensar não é dizer...
Eu não abracei meu pai c força... Pensar não é abraçar...
Eu ainda lembro do seu rosto quietinho, sem saúde, indefeso, submisso a me olhar. Eu me despedi, dizendo pra ele ficar bem, q eu voltaria em alguns dias (agora no carnaval passado e eu faria uma pequena viagem pra Minas).
Voltei antes...
Pro seu velório e enterro...
Meu pai não está mais presente como sempre esteve, na sua distancia, do seu modo, mas aqui, entre nós, da maneira q podemos tocar e ver... Apenas da maneira q podemos sentir...
Sinto a presença do meu pai algumas vezes...
Sinto saudade dele, uma saudade dolorida...
Hoje eu entrego pro universo o meu abraço e o meu amor de filha, c toda a gratidão de uma vida...
Hoje entrego minha saudade...
Receba seu presente, pai, nesse seu dia.
E meu amor silencioso, sem palavras, mas c a minha verdade.