Sexta-feira, 13 de maio.
Acordei com a imagem de uma mancha de sangue na minha camiseta. Ao olhar pelo espelho me deparei c o quadro da realidade q estava se estampando na minha frente. A partir daquele momento tudo iria mudar na minha vida. Tudo q era preservado, minha imagem só minha, seria compartilhada. Era chegada a hora de dizer q o jogo de mim comigo mesma havia acabado e eu não conseguiria mais continuar sozinha, a partir daquele momento.
Durante o dia, minha cabeça ficou a mil. Tudo passava. Eu sabia q a coisa era séria, mas ainda assim, me faltava a coragem de expor tudo aquilo. Quando a noite chegou, eu sabia q aquela era uma última noite da vida q eu tinha, eu sabia q ao acordar, a cortina iria se abrir e la estaria eu, exposta, frágil, gritando por socorro.
E foi assim...
A noite passou quase q em branco, as dores aumentaram e era, portanto, chegada a hora de jogar a toalha, rendida por mim mesma, pelos artifícios q a vida arrumou para terminar c tudo aquilo.
Sim, eu estava c medo... eu estava em pânico. Eu sabia da gravidade, eu sentia um vento frio mórbido a me rondar. Eu chorava compulsivamente, eu precisava de ajuda, nada mais eu poderia fazer sozinha.
‘Cuidei’ de mim, sozinha, durante tanto tempo, mas eu não era mais capaz de nada.
Eu via o medo, a compaixão, a apreensão nos olhos do meu marido, da minha mãe e irmã.
Eu pensava, a caminho do hospital, de q adianta as coisas materiais, se não temos saúde?
No pronto-socorro fui atendida imediatamente, obviamente. A médica q me atendeu, a dra. Ana Paula estava lá, na minha frente, aguardando. Eu ainda lutava contra tudo aquilo e ela aguardando o momento q eu desse o primeiro passo de me expor.
Meu Deus... como tudo aquilo foi difícil pra mim...
A sala de enfermaria parecia pequena diante de tanto medo, de tanta surpresa, de tanta dor. Eu sei q ela se assustou c o quadro q viu, eu sei... Ela saiu da sala bombardeando todos diante da situação q se deparou. Não era possível tudo aquilo. O quadro q ela vira era gravíssimo, talvez sem condições de cirurgia, de tratamento. Desnecessário eu dizer o estado q deixei minha família.
Incrível q, qdo me deitei na maca, eu estava entregue, à mercê da vida, de Deus. A morte não me assustava tanto qto um dia eu imaginei. Parece q, ao estar ali, dentro de um hospital, eu não seria mais a condutora do meu destino.
Nada do q ela dizia era novidade pra mim, eu estava ciente do meu quadro.
Ok... não adiantava ficar ali julgando meus atos, minhas falhas, meus segredos, precisavam começar a cuidar de mim. E aquilo tb não foi fácil. As dores eram quase q insuportáveis, eu gritava de dor, implorava por sedativo, por analgésico, q não faziam efeito algum. No eco dos meus gritos, o choro da minha irmã, la fora, gritando a sua dor...
Eu ficaria internada, aguardando os médicos q ela haveria de convocar. Enquanto isso, diante de um quadro de anemia profunda, eu ‘tomaria’ sangue para me fortalecer.
Meu medo de injeções e agulha já não existia mais. O q são picadas diante de tudo aquilo? Não são nada.
Tomando medicação pela veia, já feita a assepcia e o curativo fui para a enfermaria conjunta do pronto-socorro, aguardar a internação.
Eu olhava em volta e tudo parecia ter uma outra roupagem. Eu já estava calma, resignada, pronta para o q viesse. Eu percebia em volta de mim pessoas q me amavam, q sentiam medo do meu estado e eu tentava acalmá-las. Eu já estava bem. Qualquer q fosse q o resultado dos exames, eu aceitaria, sem problemas e... até sem medos.
Parecia q eu havia chegado no limite de tudo, q eu havia me deparado c a morte, olhado de frente pra ela, encarado e não havia visto monstro algum.
Não, eu não estava mais c medo.
Não, eu não estava mais c medo.
Eu sabia q eu estava começando uma jornada nova e aquilo não me assustava nem um pouco.
Hoje, ao relembrar todo o turbilhão daquele sábado, penso no medo, nas suas faces. O medo é uma sensação muito frágil. Basta enfrentá-lo q ele enfraquece e desaparece.
Fico pensando de onde tirei as forças q já me mantinham serena.
Hoje tenho certeza q essa força veio da bagagem de tudo q tenho aprendido com a Doutrina Espirita.
Essa força veio da minha fé e confiança em Deus.
E hoje eu sei q, turbilhões existem, de várias potências em nossa vida e não temos como fugir deles, temos q enfrentá-los, é fato.
Mas... é fato tb q, enfrentar o turbilhão com fé, faz c q esse peso fique mais leve, mais sustentável.
Hoje tenho certeza q essa força veio da bagagem de tudo q tenho aprendido com a Doutrina Espirita.
Essa força veio da minha fé e confiança em Deus.
E hoje eu sei q, turbilhões existem, de várias potências em nossa vida e não temos como fugir deles, temos q enfrentá-los, é fato.
Mas... é fato tb q, enfrentar o turbilhão com fé, faz c q esse peso fique mais leve, mais sustentável.
O Sol – Jota Quest
Ei, dor!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada...
E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou... (2x)
Ei, dor!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo!
Eu não te escuto mais
E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou...
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada...
E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou... (2x)
Ei, dor!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo!
Eu não te escuto mais
E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou...